sexta-feira, 6 de março de 2015

Pó e sangue II


Pedro sonhou com Letícia. Ela estava linda, com aqueles cabelos encaracolados, com um vestido branco, sorrindo e pedindo para ele a abraçar e esquecer de tudo que acontecera. Mas Pedro lhe deu um beijo e depois virou as costas. O demônio o esperara à espreita, o chamando para cumprir com seu trato. Letícia chorava em seus sonhos.

O garoto acordou com uma terrível dor de cabeça, seu nariz, de tanto cheirar pó, sangrava. Ele se levantou da cama e foi direto ao banheiro tomar banho. A água quente embaçou o espelho do banheiro formando um pentagrama invertido, uma cabeça de bode. Pedro sorriu, era hora de se vingar dos assassinos.

Pedro botou seu revolver escondido na calça e pegou uma faca de cozinha. Era só isso que precisava, além do mais com seu corpo fechado, não precisava de nenhuma proteção extra. Ao sair, ele encontrou com sua mãe na sala de estar, ela sorriu para Pedro que sorriu de volta, mas com uma expressão demoníaca, maquiavélica. Sua mãe se assustou, mas como ela sabia do que ocorrera com sua namorada, ela achou que logo mais ele voltaria a ser aquele garoto cândido de outrora.

Ao subir a rua, Pedro encontrou a mãe de Letícia cuidando do jardim de sua casa:

- Olá Elvira, como está?

- Mais ou menos Pedro, a ficha ainda não caiu, mas sinto falta da garota.

- Ontem eu sonhei com ela. Me parece que está muito bem no céu. e a senhora pode ficar despreocupada que os assassinos vão pagar pelo que fizeram.

- Como assim, Pedro. Você vai fazer alguma coisa? Deixe que a polícia tome conta do caso.

- Pode deixar, vou fazer isso mesmo, disse Pedro com um olhar agressivo.

Ele se despediu e partiu em direção a favela. Era hora de ele conversar com os traficantes. Era hora deles pagarem pelo aque fizeram com a sua namorada.

Continua...


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