segunda-feira, 16 de março de 2015

Na mata


Joana estava na selva. Sua família não tinha sobrevivido à queda do avião. Ela se sentia solitária. Como uma garota como aquela poderia sobreviver àquele lugar?

A única coisa que ela possuía era aquele moleton vermelho que sua mãe lhe emprestara. Já estava anoitecendo. Ela se perdera na floresta após a queda do pequeno avião de sua família. Por sorte seu pai não estava com eles, ele havia ficado em casa trabalhando.

Aliás, onde Joana estava mesmo? Ela sabia que era na floresta Amazônica. Joana morava com sua família na cidade de Manaus. Seu pai possuía uma fábrica de CDs e DVDs. Eles tinham conforto, mas com a crise na música causada pela pirataria e os downloads ilegais de música, eles quase faliram.

Não havia ninguém ali perto. Nenhuma alma viva. Joana procurou voltar ao avião, mas não o encontrou, e já estava escuro. O que ela deveria fazer?

Havia uma pedra enorme no alto de um morro. Joana subiu até lá e fez o moleton de travesseiro. Estava livre do mato, das cobras, mas passou a noite morrendo de frio.

Na manhã seguinte, a fome apertou. O que comer ali naquele lugar? O sol estava pegando fogo e ela se protegeu pondo o moleton na sua cabeça.

Até que Joana achou um riacho. Devia haver peixes por lá. mas ela não possuía nem uma varinha, nem isca. Foi quando se lembrou de um filme em que viu um índio pescando com um arpão os peixes de uma lagoa. Ela andou um pouco e pegou um galho para fazer de arpão. Ficou um tempão mas no final conseguiu pescar um peixe.

Agora era fazer uma fogueira para assar seu peixe. Ela esfregava pauzinhos e nada de fazer fogo naquelas folhas secas. Até que Joana desistiu e comeu o peixe ali mesmo, cru.

Com mais energia, Joana se pôs a andar. Deveria haver indícios de alguma civilização por ali. Ela também olhou para cima pra ver se algum helicóptero ou avião fazendo buscas por ali. Seu pai deveria estar preocupado, já era hora de eles terem chegado em casa.

Em um momento, quando estava andando pela floresta, ela viu uma onça pintada se aproximando. Joana gelou de medo, não conseguia sair do chão e a onça só se aproximando, chegando perto.

Ela estava cansada, mas teve energia suficiente para subir correndo em uma árvore, até o topo. E de lá, pôde ver seu moleton vermelho ser mordido e destroçado por aquele animal perigoso.

A onça se cansou de esperar por aquela garotinha. Ela foi embora mas virou a cabeça, ao caminhar, olhando para Joana como uma fera, selvagem e perigosa que era.

Joana esperou um pouco e desceu. Andou por vários quilômetros até que encontrou uma aldeia de índios. ela estava a salvo, mas os índios não pensaram assim. Eles odiavam os homens brancos e a fizeram de prisioneira.

Ela ficou em uma cabana enquanto um índio alto, forte, pintado de vermelho da cabeça aos pés, a vigiava. A garota chorou, o que fazia ali, estava com fome, pensou. Joana se levantou e puxou a perna do índio, o chamando. ela não conhecia a sua língua, mas fez sinais e o índio entendeu que ela estava com fome.

Ele saiu para buscar uns bijús para Joana. Havia uma grande dança na aldeia. A garota aproveitou a saída do índio para pegar sua comida e correu, indo parar no meio da roda de dança. Ela entrou junto na dança. Os índios no início riam muito dela e Joana se acalmou, mas mal sabia ela que havia um caldeirão sendo preparado para tê-la para a janta.

No final da dança os índios a pegaram e tentaram pô-la no caldeirão, mas a garota se contorceu toda, virou de um lado, para o outro, se protegeu com as pernas, até que ela caiu no chão, se levantou, deu um chute no pajé e saiu correndo pela mata.

Sem querer, Joana encontrou o avião. Seu pai estava lá, junto ao exército, um grupo de salvamento. Ele correu até a sua filha, a abraçou e a ouviu falando:

- Eu venci os índios canibais...


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