quarta-feira, 18 de março de 2015

Demônio


Eu passei por mal bocado a uns três meses atrás. Só agora eu tive a oportunidade de escrever aqui o que me ocorreu. Espero alertar a todos que possam se interessar pelo Pico do Dragão, na Serra do Cipó. Lá você encontra escondido um cemitério indígena, uma casa de pedra, ornamentada de figuras assustadoras. Parecia até uma construção Maia, em Minas Gerais. Eu estive lá a três meses atrás. Eu vi o fim do mundo. Alucinações terríveis tomaram conta de minha cabeça. Eu no meio de uma selva, dentro da Serra do Cipó, um lugar inimaginável, poucas pessoas conheciam. Eu fui ver e tomei um chá que me prepararam durante uma cerimônia. Eu vi coisas inacreditáveis. A aura de todas as pessoas. A minha aura. Vi o bom e depois o mal. O inferno na terra. Todo mundo como demônio.

Agnóstico. Antes dessa experiência eu não acreditava nas religiões. Então agora eu te afirmo convictamente a existência de Deus, um ser poderoso que muda a vida das pessoas, mas que era diferente dos que pregavam os pastores e padres. Era amedrontador. Não havia nada a fazer. A três meses atrás eu descobri que somos demônios. Eu vi Deus fabricando almas. Só que era um Deus maquiavélico. Parecia um dragão, tinha chifres, um olhar assustador. Ele soprava da boca as almas. Elas voavam para longe fora da casa, subiam aos céus. Elas falavam. Agradeciam sem olhar para trás, como fumaça saindo pela janela.

Eu olhava escondido atrás de uma pilastra de pedra e vi a criatura se levantar, mostrando a barriga. Era um festival de corpos presos sob a pele do peito e da barriga. Dava para ver milhares de almas se debatendo uma com as outras, esperando o momento de subirem. Eu na mesma hora em que vi o demônio criando as almas, eu me lembrei da minha e de como viera ao mundo. Eu era como eles, mas de outro demônio, de outro lugar. E me lembrei que as almas que iam parar dentro do corpo dele era a de pessoas fadadas ao inferno que tinham seu corpo assado e comido pelo demônio, assim que morriam. Ele era o próprio inferno para aquelas pobres almas.

Eu tinha que fugir e saí correndo da casa, passei pelo cemitério indígena e cheguei em meu carro. Desci a serra do cipó em alta velocidade e cheguei cedo em minha casa, trancando tudo ao redor, me certificando que só eu estava na casa. Estava assustado. Agora eu sabia de minha vida passada. Era um dono de prostíbulo que tinha matado duas pessoas na França de trezentos anos atrás. Fora morto por um rival que queria comprar a casa. Eu paguei meus pecados ali com aquele demônio por 250 anos. Uma eternidade no inferno. E fui achar aquele monstro perto de minha casa. Até hoje não voltei lá.


Devia voltar  e matar aquela fera com uma espingarda e salvar todas as almas ...

Continua...

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