quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pó e sangue



O nome dele era Pedro. Tinha 26 anos quando conheceu Letícia. Os dois namoraram por dois anos. Uma garota jovem de 22 anos, alta, magra com os cabelos loiros e encaracolados.

Pedro pensava que a relação dos dois era saudável. Garoto evangélico e simplório, não sabia que sua namorada saía às escondidas à noite, enquanto seu namorado dormia. Ela combinava com suas amigas e enganava Pedro indo à boates de techno, se drogando e bebendo a noite inteira.

Às vezes Letícia sumia no meio da tarde, ela ia no morro buscar papelotes de cocaína e chegava desorientada na casa de Pedro. Mas este, coitado, pensava que a garota estava em seu período pré-menstrual. ele nem imaginava que ela subia aqueles morros perto de sua casa. Para ele, Letícia era uma santa.

O amor de Pedro só crescia, ele queria casar com ela, constituir família. Eles não transavam, Pedro queria se resguardar para depois do casamento. Ainda era virgem, imagina, aos 26 anos. Mal sabia Pedro que Letícia saía com outros homens durante as suas saídas de madrugada. Sua mãe até tentou avisar, mas para ele, era implicância da velha.

Até que um dia, Letícia subiu no morro no meio da madrugada. Ela comprara dois papelotes de cocaína e já ia encontrar com suas amigas, quando a polícia apareceu e começou a trocar tiros com os traficantes. Uma bala perdida, do alto do morro a atingiu na cabeça. Letícia morreu na hora. A polícia se desorientou, pegou o corpo da garota e saiu em direção ao hospital, mas já era tarde.

Pedro ficou sabendo no dia seguinte. Ele viu a foto de sua namorada estampada na primeira capa do jornal. A manchete era: "Garota do asfalto morre em troca de tiros da polícia com traficantes".

O jovem chorou a tarde inteira, desorientado, quebrou todo o seu quarto, pegou a bíblia e a queimou, gritando, xingando Deus, que levara sua namorada embora. Ela era viciada em pó, ele jurou que um dia iria se vingar dos assassinos.

Pedro foi então a um centro de macumba, pediu para fecharem seu corpo. Ele entrou em um transe profundou e viu o que tinha que fazer. Agora ele não era mais evangélico, Pedro havia feito um pacto com o demônio. Nada mais poderia feri-lo.

No dia seguinte, Pedro foi até os traficantes do morro. Perguntou a eles se além de drogas eles vendiam armas. Comprou uma 38 e um punhado de balas, um papelote de cocaína e foi pra casa. Pedro passou na padaria e pegou uma pinga 51. Passou a noite inteira bebendo e bolando um plano para a sua vingança.

Continua...


Nenhum comentário: