quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Vingança natalina


Estava deitado no chão. Sua roupa encharcada de suor, a boca estava cheia de sangue. Havia apanhado feio dessa vez. Eles não queriam tê-lo por perto. Tentara o time de futebol, até o professor rira dele. Como um baxinho, gordo, de óculos poderia jogar no time?

O mesmo acontecera na aula de natação, de basquete e de vôlei. Tentara em vão entrar na turma, queria fazer amigos e participar das aulas extra classe, mas era sempre sabotado. Todos olhavam para aquele garoto feio, esquisito, com espinhas em toda a face e o tratavam como um monstro nojento.

Lembrava do primeiro dia de aula, não era tão gordo, nem usava óculos. Fôra até bem recebido, uma garota linda de sua sala até deu idéia pra ele. Mas uma semana depois, apareceu de óculos; as espinhas também começaram a se mostrar.

Após a separação de seus pais começou a comer como um porco, e a se parecer com um. Tentou fazer amizade, mas não conseguira. Pra piorar, todos os alunos ditos "populares" faziam dele a piada do colégio. Ele se sentia como o pior dos mortais. Às vezes queria morrer.

Mas algo mudou depois da última surra; não se sentiu mal, ficou com muita raiva, afinal, ele também merecia ser feliz, mesmo não sendo como os outros. Bolou um plano. Procurou na internet maneiras de botá-lo em prática.

Com o final do ano letivo chegando, sabia que a escola inteira se reuniria na cantina para comemorar o natal. Nesse dia, ele chegou cedo na escola. Pôs um pacote preto embaixo das 4 pilastras que seguravam o teto da sala. Cada pacote tinha um relógio. O cronômetro dava 15 minutos para acionar as bombas.

Ao sair do colégio, um sorriso maquiavélico em seu rosto.

Mas uma lágrima caia de seus olhos...

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