quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

140 Km/h


Na medida que o asfalto se molha, a terra treme.
As poças d`água se espalham.
Agora sim, acabou o calor.

Antes a terra derretia, era difícil fazer algumas coisas.
A preguiça toma conta em lugares mais quentes.
É foda.

Melhor ficar molhado.
É mais fácil pensar, trabalhar.

O trânsito fica uma bosta, mas é melhor do que correr no molhado.
O sinal demora, ainda bem que está chovendo.

Ponho um som no meu carro.
Rádio não presta, escolho um blues.
Alguma coisa tem nesse som que me prende.

Passo por uma poça gigante e molho a senhora que carregava um saco de pão.
- Filha da puta! - ela gritou.

Rio, que vontade de beber.

Ao sair da cidade, a estrada me deu liberdade. Acelerei.

120, 130, 140...

Na chuva.

Última coisa que me lembro...

De uma curva.

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