sábado, 14 de novembro de 2009

O Pacto II

Ele não tinha mais paz.
Havia meses que não conseguia viver.
Sobrevivia é claro, mas sempre com um copo de whisky do lado.

Sabia que ela nunca mais voltaria.
Pra falar a verdade, nem gostaria que isso acontecesse.
Não depois de tudo que passou.
Não após descobrir que sua amada não era nada daquilo que pensava.

Ela havia feito um pacto, um pacto com o demônio.
Queria fuder a vida dele.
Ele também não era santo, traiu ela, mas o que houve depois foi exagerado.
Ela era louca, queria vê-lo no chão, na lama.
Ele apenas deixou.

Só que após um tempo, os encantos dela não faziam mais sentido.
Ele tinha pena da moça, que, de tão transtornada, acabou vendendo sua alma.
Mas não deveria ter pena, visto que o preço da alma era a sua vida.

Cansado de tudo e dessa história macabra, cansado de ver sua vida indo para o lixo, buscou ajuda de uma feiticeira.

Ela quebrou um ovo e na gema viu a imagem de uma corda no pescoço.
No seu pescoço.

A feiticeira informou que se não mudasse, se deixasse se levar, iria acabar morto.
Com uma corda no pescoço.

Ele não tinha raiva, nem ódio, queria apenas paz.
Foi atrás da moça.

Contou pra ela que sabia de tudo, do que estava acontecendo e do pacto que ela fizera com o diabo.

Ela saiu do carro carrancuda, dizendo que ele era louco, que era tudo mentira e que não devia confiar em uma feiticeira.

Ele berrou que não devia era confiar nela.

Foi embora.

No dia seguinte, quem estava com a corda no pescoço era ela.
Havia se suicidado.

No enterro ele chorou.

E pediu a Deus para perdoa-la.

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