quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Calor

Fazia quase quarenta graus.
O sol forte fervia sua cabeça.

Não usava chapéu.
Não tinha dinheiro.

Tentava sobreviver pedindo esmolas no sinal.
Nesse dia, parecia que a cidade estava deserta.

Lembrava quando tinha uma vida mais tranquila.
Quando não passava fome.

Era casado, tinha três filhos.
Trabalhava numa multinacional, no ramo de eletrônicos.

Mas um dia perdera tudo.
Tinha bebido muito, voltava de uma festa da empresa.
Sua mulher e filhos voltavam da casa de sua sogra.

Na esquina de seu quarteirão, ele perdeu o controle.
Foi bater justo no carro de sua esposa.

Só ele sobreviveu.

Não conseguia fazer mais nada depois do acidente.
Não tinha outros parentes, sua sogra nunca mais olhou pra ele.

Alcólatra, viu sua vida se transformar num inferno.
A culpa era enorme e ainda sentia falta deles.

Agora estava ali, no semáforo.
Lembrava de tudo e chorava.

O calor aumentava cada vez mais.
Já não pensava mais nos trocados para sobreviver.

Fechou os olhos e caminhou para o centro da rua.
O sinal estava aberto.

Caminhou para a morte...

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