segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Chuva e sangue

Estava ensopado.
Olhava para o chão.

O corpo estendido no chão.
Mesmo molhado suava.

A briga fôra difícil.
Sua camisa estava suja.

Suja de sangue.

Um sorriso.
Uma lágrima.

Uma segunda chance.
Um final.

Podia muito bem ser ele deitado no chão.
Um tiro na cabeça.

Podia ser ele o corrupto.
Mas não.

Nunca aceitaria se vender.
Queria mudar as coisas.

Dois policiais.
Um vivo, outro morto.

A droga estava no carro.
500 mil reais de cocaína.

Podia muito bem sumir com a droga e transformá-la em um milhão.
Mas entregou tudo para as autoridades.

Não era rico.
Vivia num quarto e sala.

Mas queria ser um herói.

Quem sabe assim ela não voltava pra ele?

sábado, 28 de novembro de 2009

A Inveja É Uma Merda


A Inveja É Uma Merda
Ultraje a Rigor

Ô neném, não foi assim que eu te ensinei
pô neném, agora eu me decepcionei
torcer prá que o meu sucesso acabe
prá quê, acho que nem você sabe
eu sei, 'cê não pôde ser o que sempre quis
então não suporta ver ninguém feliz

Meu bem eu sei que o sucesso nem sempre dura
mas a mediocridade não tem cura

Chato, prá você poder se conformar
você ficar tentando se enganar
dizer que tá bom o que sempre achou ruim
meu Deus, que miséria existir gente assim
triste, 'cê não ter coragem prá mudar
pior, cê achar melhor me invejar

Meu bem eu sei que o sucesso nem sempre dura
mas a mediocridade não tem cura

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Calor

Fazia quase quarenta graus.
O sol forte fervia sua cabeça.

Não usava chapéu.
Não tinha dinheiro.

Tentava sobreviver pedindo esmolas no sinal.
Nesse dia, parecia que a cidade estava deserta.

Lembrava quando tinha uma vida mais tranquila.
Quando não passava fome.

Era casado, tinha três filhos.
Trabalhava numa multinacional, no ramo de eletrônicos.

Mas um dia perdera tudo.
Tinha bebido muito, voltava de uma festa da empresa.
Sua mulher e filhos voltavam da casa de sua sogra.

Na esquina de seu quarteirão, ele perdeu o controle.
Foi bater justo no carro de sua esposa.

Só ele sobreviveu.

Não conseguia fazer mais nada depois do acidente.
Não tinha outros parentes, sua sogra nunca mais olhou pra ele.

Alcólatra, viu sua vida se transformar num inferno.
A culpa era enorme e ainda sentia falta deles.

Agora estava ali, no semáforo.
Lembrava de tudo e chorava.

O calor aumentava cada vez mais.
Já não pensava mais nos trocados para sobreviver.

Fechou os olhos e caminhou para o centro da rua.
O sinal estava aberto.

Caminhou para a morte...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pensei em você

Às vezes não compreendemos como pode a vida ser do jeito que é.
É fácil culpar os outros pelos nossos erros.

Mais fácil ainda gritar a plenos pulmões que esse mundo não presta.
Culpar a pessoa ao lado pelas nossas desgraças.

Ou ainda, querer ficar só, longe de tudo e de todos para não se magoar.
Fazer alguém chorar, se acabar em lágrimas é covardia.

Porque ainda restam dúvidas.

É muito fácil magoar quem nos ama.
Pois quem ama perdoa.

Perdoa as nossas falhas, nossa intransigência e confusão.

Viver como um ermitão não é a saída.
Nem viver em busca de aprovação.

O fato é que somos todos diferentes.
Não é possível generalizar.

Julgamento...
O culpado peca por julgar, pois logo mais será a sua vez.

A vida passa como um trem bala, como um foguete.
De vez em quando ficamos cegos e desorientados.

Quem merece nosso amor?
A pessoa fria? Calculista? Que usa as pessoas como brinquedo?

Não. Só quem conhece essa palavra merece o calor.

Saudades...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Os bons companheiros

O filme Os bons Companheiros (1990), dirigido por Martin Scorcese e estrelados por grandes nomes de Holywood como Ray Liotta, Robert De Niro e Joe Pesci, é um clássico dos filmes de gangster. Acredito que só perde para a saga de O Poderoso Chefão.

O filme conta a história de Henry Hill (Ray Liotta), um garoto meio irlandês, meio italiano, que entra para a máfia do Broklin (NY).

Apadrinhado pelo chefão, ele conhece Jimmy Conway (Robert De Niro), um gagster irlandes em ascensão. Eles se juntam a Tommy De Vito (Joe Pesci), italiano esquentado da idade de Henry.

Começam assaltando caminhões até se perderem em roubos milionários e tráfico de drogas.

O filme conta várias particularidades do submundo do crime novaiorquino. Os casamentos da máfia, a noite das amantes, os roubos e prisões.
Tudo isso acompanhado por uma trilha sonora bombástica com grandes nomes do rock como Cream e Sid Vicius.

Há também particularidades interessantes como a participação de Samuel Jackson no filme, ainda no início de sua carreira.

Pra quem curte filmes sobre mafiosos, Os Bons Companheiros é uma boa pedida. Só tome cuidado para não sair por aí depois do filme se achando um Goodfella.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Mais um dia

Procuro palavras numa tentativa de fuga .
Respiro a cada dia com mais dificuldade.

A insônia me faz produzir.
Genialidade e mediocridade.

O fato é que estou farto.
De tanta inutilidade.

Fingir humildade.
Nesse mundo de hostilidade.

O que um homem como eu pode fazer.
Para contribuir e mudar um pouco as coisas.

Só posso xingar o absurdo.
E fingir que somos trouxas.

Nada realmente faz sentido.
A não ser transar, comer e dormir.

De que adianta chorar.
De que adianta sentir.

Eu passo meus dias acordado.
Ás vezes com uma garrafa do lado.

Procuro me anestesiar.
De vez em quando me amordaçar.

Pra não ser pego de surpresa.
Quando a censura chegar...

sábado, 14 de novembro de 2009

O Pacto II

Ele não tinha mais paz.
Havia meses que não conseguia viver.
Sobrevivia é claro, mas sempre com um copo de whisky do lado.

Sabia que ela nunca mais voltaria.
Pra falar a verdade, nem gostaria que isso acontecesse.
Não depois de tudo que passou.
Não após descobrir que sua amada não era nada daquilo que pensava.

Ela havia feito um pacto, um pacto com o demônio.
Queria fuder a vida dele.
Ele também não era santo, traiu ela, mas o que houve depois foi exagerado.
Ela era louca, queria vê-lo no chão, na lama.
Ele apenas deixou.

Só que após um tempo, os encantos dela não faziam mais sentido.
Ele tinha pena da moça, que, de tão transtornada, acabou vendendo sua alma.
Mas não deveria ter pena, visto que o preço da alma era a sua vida.

Cansado de tudo e dessa história macabra, cansado de ver sua vida indo para o lixo, buscou ajuda de uma feiticeira.

Ela quebrou um ovo e na gema viu a imagem de uma corda no pescoço.
No seu pescoço.

A feiticeira informou que se não mudasse, se deixasse se levar, iria acabar morto.
Com uma corda no pescoço.

Ele não tinha raiva, nem ódio, queria apenas paz.
Foi atrás da moça.

Contou pra ela que sabia de tudo, do que estava acontecendo e do pacto que ela fizera com o diabo.

Ela saiu do carro carrancuda, dizendo que ele era louco, que era tudo mentira e que não devia confiar em uma feiticeira.

Ele berrou que não devia era confiar nela.

Foi embora.

No dia seguinte, quem estava com a corda no pescoço era ela.
Havia se suicidado.

No enterro ele chorou.

E pediu a Deus para perdoa-la.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Onde estará o Rock?


O que é o rock and roll pra você?
Pra que serve o rock?

O diabo é o pai do rock?
Talvez no Brasil.

Lá fora, o rock, quando apareceu, era sinônimo de rebeldia.

Aqui, quando as primeiras guitarras fizeram seus acordes, artistas de peso da música brasileira fizeram protesto contra, pois gostavam mesmo era de um violão.

Stones, Beatles, Hendrix, Led, Sabbath, Animals, Janis, Doors, Dylan, Bowie, todos cantavam contra a opressão, seja política, religiosa ou sexual.

Claro que também tinham músicas de amor, mas sei lá, por aqui qual canção de rock de protesto realmente fez sucesso?

No máximo alguma do Cazuza ou do Raul.

Mas não causaram nenhuma revolução.

Sei não, me parece que importamos rebeldia.

Não conheço nenhum movimento rebelde realmente brasileiro. Importamos o punk, o metal, o movimento hippie, e agora, o emo.

O rock está no Brasil há mais de cinquenta anos. Já está na hora de criarmos um movimento realmente brasileiro.

O problema é, como fazer isso?

Tem o movimento indie, mas as bandas ou são cópias de músicos consagrados do passado, neo-hippies ou copiam os barulhos de hoje de bandas internacionais.

E outra pergunta:

Cade os malditos solos de guitarra?

Será que no Brasil ninguém mais toca guitarra direito?
Tá é cheio de gente imitando o Djavan.

Onde estará o rock?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pantaleão e as visitadoras

O filme Pantaleão e as visitadoras (1999) é uma produção Peruana e Espanhola baseada no livro homônimo de Mario Vargas Llosa.

Conta a história do capitão das forças armadas peruana, Pantaleão Pantoja (Salvador Del Solar), marido fiel e exemplar, que recebe a incumbência de ir a selva amazônica levar prostituas aos necessitados soldados peruanos.

O capitão monta seu QG no meio da selva, onde seleciona as garotas e as treina para fazer o serviço de "visitadora".

Com um barco eles atravessam o rio Amazonas levando "felicidade" para todos os soldados carentes peruanos, que estavam com tamanha necessidade, que acabavam por estuprar as moçoilas das cidades vizinhas aos quartéis.

O exército, que tentava aplacar a sede dos soldados que ficavam meses sem mulher, transformou o capitão Pantaleão em gigolô, e mudaram a vida na selva.

Porém, Pantaleão, que antes era um marido sóbrio e fiel, se apaixona pela prostituta "Colombiana" (Angie Cepeda), atrapalhando seu casamento.

O povo começa a falar sobre o gigolô do exército e a confusão se instala.

O filme é uma divertida comédia com situações inusitadas que prende a atenção do início ao fim.

Também pudera, o livro que deu origem ao filme é um grande best seller e também recomendo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sonhos


Às vezes a vida nos prega peças.
Tudo muda.

De uma hora pra outra.
Pessoas novas entram na sua vida.

Velhas se vão.
Poderia dizer que é muito fácil abandonar tudo e mudar.
Sem pensar nos riscos e frustrações.

O novo sempre é difícil.
O costume gera essa complicação.

Todos os dias ao acordar penso em como vai ser daqui pra frente.

De vez em quando aquele velho amigo sumido se torna novo.
Aquele velho emprego se torna novo.
Suas velhas convicções se tornam novas.

Isso porque o que você pensava há dez anos foi mudado há cinco e hoje você volta as mesmas idéias.

Não é fácil mudar.

Ninguém disse que seria.

"Aceite as coisas como elas são. Como a realidade é. Não seja louco, viva como todos os outros".

FODA-SE A REALIDADE.

Nunca aceite algo como sendo imutável.

Nunca deixe alguém pensar por você. Dizer como você deve pensar e agir. Dizer quem você é.

Não acredite em ninguém. Apenas em você.

Seja você mesmo.

E lute por seus sonhos...

terça-feira, 3 de novembro de 2009