segunda-feira, 29 de junho de 2015

Palavras


Eu aqui, falando para as paredes. Elas me escutaram. Alguém pode ler hoje à noite , daqui a pouco em algum lugar. Quem me dera ver o mundo com as lentes de um ladrão, às beiras do assalto.

|Tem que ver o que eles esperam de alguma coisa concreta. Queria tanto que fosse de outro jeito. Não a nada a fazer, a não ser esperar.

As palavras que digito me dizem que é um processo demorado e restrito. Poucas pessoas fogem do cotidiano. Alguma coisa tem que acontecer. Então aí tudo se modifica.

Às vezes despejamos toneladas de palavras sem sentido, em razão de uma total falta de informação, destinada a uma leitura real da situação prevista.

Palavras


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Metallica - Load


O disco tem uma capa estranha, é um quadro de um artista alternativo que utilizou esperma e sangue para compor essa duvidosa obra de arte. Ao por para escutar o disco do Metallica a sensação é de que mais uma pedrada vem por aí. Mas não é bem assim com esse disco.

A banda resurge após o aclamado Black Album, com um som muito mais galgado pelo rock and roll do que pelo heavy metal de antes. É um som mais cru.

Os clássicos Until it sleeps e King of nothing são apenas uma amostra das músicas enérgicas e psicodélicas como Bleeding me e Wasting my hate on you, uma das mais pesadas do disco.

Tem a balada Mama said meio country que destoa um pouco do disco.

Uma ótima pedida pra presentes...


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pergunta


Um dia me perguntei quem era eu? É uma pergunta muito difícil. Complicada. Quem é você? É mais fácil perguntar isso a alguém conhecido.

– E aí cara, quem sou eu?

E ele responderá, quem é você. Em uma palavra. Algo que o rotula. Ou o contrário. Há quanto tempo você se faz essa pergunta? Quem que você conhece que poderia responde-la? Então tudo não passa de nomes, palavras ditas ao vento sem um caminho. A resposta está na dúvida.


Um questionador...

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Roubo ao banco



Seu nome era João. Ele era um jornalista de meia tigela que se esforçava para parecer culto perante seus colegas de trabalho. João vivia até que feliz, tinha um emprego, um apartamento perto do jornal e trabalhava no caderno de Cidades. Ele cobria assuntos dos mais variados, desde a construção de uma praça, até um sequestro. Ficava feliz quando cobria a parte policial. Ficava sabendo dos assassinatos que aconteciam na capital e escrevia matérias diárias sobre gangues, traficantes, sequestradores, corruptores, entre outros crimes de Belo Horizonte. Ele tinha um rádio com a polícia então ficava sabendo das coisas antes dos outros jornais da cidade. João sabia de tudo.

Um dia houve um assalto no banco Santander, até perto do jornal. João saiu correndo e pegou seu casaco de couro e foi pra rua com seu bloco de anotação e uma caneta. Não gostava de gravar as entrevistas, anotava no bloco o que precisava saber de informação e depois fazia sua arte. As palavras jorravam no papel e era visto como um bom escritor, esquisito, mas seus textos eram muito lidos. Era um jornalista ambicioso e precisava de um furo.

Chegou na porta do banco e viu duas viaturas paradas na frente do edifício. Dentro do banco três ladrões decidiam como se livrar da polícia e sair com um bocado de grana daquele assalto. Os reféns estavam todos deitados no chão com a mão na cabeça. Os bandidos estavam com uma escopeta e dois revólveres. Os seguranças foram os primeiro a serem rendidos. Estavam agora desarmados, deitados no chão, junto com os outros reféns daquele assalto à banco.

Cada bandido pegou uma refém e se posicionou na janela. Os carros deveriam sair, a polícia teria que ficar longe dos ladrões. eles saíram, pegaram um carro que estava estacionado em frente ao banco e saíram correndo com a polícia parada, rendida pelos revolveres que estavam na cabeça das vítimas, reféns. Uma delas conseguiu escapar. Ela se livrou dos braços do sequestrador e correu até o outro lado da avenida onde a polícia estava. O bandido queria atirar, mirou na cabeça dela, mas não apertou o gatilho. Ao invés disso ele entrou no carro. Uma pessoa a menos viria a calhar. Ainda haviam duas vítimas. Eles saíram pela avenida. João entrou no carro e seguiu eles junto com a polícia. Era uma perseguição e tanto, os bandidos estava com 4 milhões de reais e duas reféns.

Só que os bandidos correram demais e pararam em uma curva batendo na parede de um túnel e capotando três vezes no ar. Todos morreram. Cinco pessoas em um carro todo amassado. João foi o primeiro a cobrir os fatos. Ele agora teria um furo se andasse rápido. João saiu correndo dirigindo até o jornal. Ele escreveu a matéria em vinte minutos e entregou para o editor. Ainda dava tempo de vê-la no Jornal da Manhã.

BANDIDOS SÃO MORTOS EM PERSEGUIÇÃO POLICIAL.

João tinha seu furo.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Whiplash


Vi esse filme esperando mais uma biografia sobre um músico, no caso do filme Whiplash, um baterista de jazz.

O músico estuda em uma conceituada escola de Nova York, nos Estados Unidos.

Seu professor cobra uma disciplina anormal de seus alunos, sendo violento, muitas vezes.

É algo que no Brasil é quase impossível de acontecer.

Os músicos aprendem por bem ou por mal.

É a história de uma super banda e seu professor maluco.

O diretor soube trabalhar o enquadramento criando belas imagens dos instrumentos e das performances dos músicos.

Só clássicos do jazz.

Imagina uma big band desse naipe aqui no Brasil? 10 sopros!

O baterista tem dois concorrentes.

e eles fazem de tudo para serem os primeiros.

A melhor big band do mundo com um ditador na frente.

Será que vale a pena tocar para um destruidor de mentes?

A música e sua fascinação.

E desistir de tudo, até de você mesmo para tocar?

Essa pergunta fica no ar.






segunda-feira, 11 de maio de 2015

Que mundo é esse?


As pessoas hoje em dia me parecem sem noção das coisas. A humanidade há muito tempo deixou de ser humana. Andamos nas ruas e encontramos mendigos com um buraco nos pés, moribundo e ninguém ajuda.

Vemos na televisão assassinatos, guerras doenças e fome. Ninguém dá a mínima para a África. Ninguém deu a mínima pro Japão depois do vazamento radioativo.

É por que não é com eles. está longe deles. Porra lá na África? Foda-se. E o Ebola, se ninguém cuidar dos africanos ele vai chegar aqui. Se ninguém cuidar da radioatividade, ela também vai chegar aqui.

Adoramos o mundo globalizado, com seus apetrechos tecnológicos e não percebemos que globalizamos também os problemas.

Sim, nós somos afetados, mesmo estando imersos em um domo de segurança, morando afastado dos centros urbanos em condomínios fechados de alto luxo.

Um dia a merda chega.

Mas não pensamos nisso agora, deixa os problemas para depois.

Foda-se o outro o que importa é o meu umbigo...

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O que vier na cabeça


Na noite fria com vento cortante eu caio em lágrimas sozinho me lembrando dos tempos antigos. A vida era mais fácil. Eu pensava assim, pelo menos. As pessoas que viveram momentos importantes e que não estão mais aqui.

Mas o que é essa vida, esse tempo que passamos nesse corpo, com outros corpos.

Penso que groupies, cerveja, pizza e rock são uma boa pedida.

Talvez até no paraíso, infinito.

Ou uma batata frita, água mineral e uns trocados.

Aquele show sem ninguém...

Uma boa mulher na cama.

Tudo tranquilo.

Mas a fumaça do cigarro advém de uma atitude muito respeitada pelos meios acadêmicos da malandragem urbana que se disfarça de santa em um apelo emocional proposto por um conjunto de pensadores ativistas que precisam de mais atenção por não estarem expostos devidamente em um sistema midiático transformador da realidade camuflada por um discurso independente que prevê uma justaposição de valores prepostos por outros tipos de pessoas...

Uma cerveja antes do almoço...

O dia de hoje já se foi, mas amanhã talvez tem mais.

Viver todo dia aproveitando os segundos.

A falta dela ou de várias delas me deixam mal.

Mas sigo adiante entre caminhos espinhosos e campos abertos.

Sábio ditado, viver o hoje para rir amanhã.

Não falha.

quinta-feira, 26 de março de 2015

De volta a Serra


Ele corria pela mata. Depois de visitar aquele monstro devorador de almas, ele foi para casa, se armou ate os dentes, pegou o carro e subiu novamente a Serra do Cipó. era hora dele se encontrar com a besta, aquela figura horripilante que não sai da sua cabeça. Um 38. foi o que conseguiu. ele tinha um, guardado perto de sua caixa de ferramentas no quarto, na despensa.

Agora era sua vez de assustar aquele monstro. Um tiro na cabeça deveria bastar. ele não queria voltar lá, mas sentia a necessidade de fazer alguma coisa. Foi aterrorizante ver as almas saindo e ainda agradecendo ao devorador de almas o fato delas saírem através de seu arroto. e do outro lado, ele fritava as almas em um caldeirão quente e comia. Sua casa era uma prisão. Haviam almas a espera de ser devoradas, almas queimando no inferno, almas dentro do corpo do demônio e almas indo embora.

Uma delas apareceu para ele:

- Você deve seguir em frente e consumar o assassinato. Matar aquele animal. É isso que ele é.

Em uma hora e meia ele já estava no topo da Serra do Cipó, entrando na caverna que levava ao templo daquele demônio. Andou mais alguns passos e se deparou com a sala inteira iluminada com velas pretas. ele não sabia quem poderia ter feito aquilo. Ficou com medo de encontrar com alguém ali, talvez algum ser das trevas, pronto para adorar o demônio, que não parava de comer.

Mas não havia ninguém por lá. Ele entrou na casa de pedra e encontrou o monstro lá de novo. Ali, aquele ser nojento, cheio de gosma envolta, almas entrando e saindo de seu corpo. Pelo menos ninguém ficava ali para sempre, mas ouvi casos de mil anos. Ele mirou, atirou, acertou em cheio sua cabeça, deixando um buraco enorme no meio da testa. Ele pensou que o animal iria morrer, mas ele nem se mexeu, olhou para ele. Do buraco na testa saiu a bala, fechando após a bala cair no chão. Ele começou a dar vários tiros, deu quatro, deixando uma bala no calibre.

Pegou mais um punhado de balas em sua mochila. O demônio continuou na mesma posição, como se nada tivesse acontecido. Ele chegou à frente do bicho, pôs o revolver na cara dele e atirou tudo que tinha. Todas as balas caíram no chão. Ele estava intacto. Aquele demônio não sofrera um arranhão. Será que ele seria mais uma vítima? No entanto, o monstro não fez nada.

continua...

Ilusão



Onde será que é possível comprar uma dúzia de produtos ilegais para sair pelo Brasil a fora, consumindo, bebendo, fumando.

Eu viajei o mundo com um ácido na cabeça e uma ideia escrita em um papel.

Talvez eu possa te falar sobre o dia em que fiquei mais doido.

Uma ilusão num mundo de fantasia.

Só há uma coisa mais importante.

A quanto tempo espero pelo nosso amor.

Esse blog tem oito anos.

Metade dele é seu.

Metade é de outras.

E se mentisse mais um pouco.

Você cairia em meus braços.

Então sinceramente digo fica.

A quanto tempo viajo pelos pensamentos estranhos de uma decepção.

Um século, um segundo, tanto faz.

Um dia passa.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Cigarros



O cigarro é uma das dádivas de deus. Desde os primórdios o homem aprendeu a fazer fogo, e com isso, o cigarro. Depois do almoço e bom demais, sentar no sofá e acender aquele Carlton, depois daquela transa, acender um Holywood, e quando tiver sem dinheiro, um Derby.

Se você bebe então, já está preparado para consumir um maço de cigarro durante uma saída, bebendo pouco, claro. ele é o companheiro indispensável da cerveja, que também pode ser qualquer uma.

Me lembro de pedir a um matuto em um sítio no interior de Minas, que comprasse na vendinha da cidade dele um maço de cigarro. Não tínhamos como ir sem carro e tal, moleques, adolescentes,

Ele me apareceu com um cigarro chamado amigo. Era cheio de pedaços pequenos de madeira, serragem, e sei lá mais o que. O pior cigarro do mundo. Mas depois de um tempo você se acostuma com ele, tosse um pouco, um amigo quase vomitou com o cigarro. Eu não, dei meus tragos.

Depois do beque então, tem que ter de qualquer jeito. O prazer é indescritível. Uma tragada dos céus, dos deuses e deusas que mandam manjares na forma de fumaça e sem nexo, como o baseado.

Proibiram as propagandas de cigarro. Também pudera, eles mostravam um pessoal fazendo esporte e fumando, influenciando as pessoas de uma forma que não condizia com a realidade.

Mas e o problema dos aspectos negativos para a saúde, que o cigarro proporciona?

Eu vi numa entrevista um sujeito falar que fumava cigarro depois das refeições e que praticava esportes regularmente. Não faço nada disso mas boto fé. Esse é um meio saudável de se fumar.

Não comece, mas se já começou, aproveite as marcas de cigarro, veja os sabores, seja um consumidor como aqueles caras do vinho, entende?

É isso. eu fumo, e muito...

E você?

domingo, 22 de março de 2015

Quer Ir ?


O pensamento viaja na cabeça de um lado para o outro, pra cima e pra baixo, sem nexo, sem lógica, abstrato, politonal.

Quanto vale um pensamento?

O do Bill Gates Bilhões.

Eu acredito que o ser humano não vive pra sempre por questões estéticas, imagine o tamanho da cabeça do cara que viveu milhares de anos...

A cabeça completamente lotada de conhecimento. O cérebro cresce também, os poderes sensoriais transformam sua cabeça numa antena gigante.

Kramer vs Kramer

Mas é feio.

Acho que é por isso que o ser humano morre. Nós somos como pendrives acessando o conhecimento aqui da terra, absorvendo tudo que vivenciamos desde o nascimento.

Daí tem que abastecer a outra base de acesso.

Imagine o conhecimento de vinte vidas...

quarta-feira, 18 de março de 2015

Logo depois...


Eu segui em frente caminhando a passos lentos numa noite tenebrosa de chuva, deixei o carro por lá mesmo, na estrada principal perto do acampamento indígena. Eu era um zumbi caminhando pela estrada. Os carros passavam e piscavam os faróis, a chuva caía de fininho me deixando com um frio danado e sem forças para andar o tanto que precisava. Devia haver um posto de gasolina, alguma cidade pequena, um restaurante. Encontrei uma estrada.

Desci ela e em pouco tempo estava na parada de ônibus para a cidade. Entrei e peguei um assento, a chuva era interminável. Enquanto o veículo rodava na estrada eu via as pessoas se molhando, na rua, pela janela. Até que vi a figura do monstro devorador de gente e de almas. Era nas nuvens, acima dos montes verdes que enfeitavam a estrada até a cidade grande.

Aquilo realmente existia. Então eu era o resultado de uma digestão demoníaca, saindo como alma das entranhas de um dos monstros mais assustadores que já presenciei. Eu pequei, e muito para ir a um lugar daqueles. Só que nesse dia eu vi que o lugar onde as almas penavam era perto de casa. Cem quilômetros. De carro, ou de ônibus. Mas as almas iam para longe, no céu. Lá em cima, impossível de ver. E voltavam até encontrar alguém escolhido de alguma forma, a qualquer hora.

E se todos nós fôssemos como eu mesmo, e aquelas almas saindo daquele demônio no meio de uma casa de pedra numa floresta quase intacta pelo homem, no meio de umas montanhas famosas na região, tendo inclusive acampamentos nas beiradas das montanhas e cachoeiras prontas para qualquer um entrar e curtir. Que bagunça se aquele monstro fosse atrás dos visitantes da Serra do Cipó. A sorte era que o danado do glutão ganhava as almas facilmente nos dias de hoje, mas era lerdo, não se movia, ficava ali naquela casa, caverna, eternamente.

Eu pensei que poderia levar uma expedição para ir até lá matar o monstro, até fiz isso, mas não convém falar agora, que escrevo estas palavras, escondido em minha casa, na esperança de que alguém leia e se salve de tamanha monstruosidade que libertei aqui, perto de meu bairro, minha casa, em minha cidade. O maior destruidor de todos os demônios, caminhando pelas montanhas da serra, descendo, indo até a cidade pequena e destruindo tudo, criando uma legião de almas e zumbis, que por segundos se sustentavam.

Mas por enquanto estou aqui, contando para vocês uma parte importante: o início.
Cheguei em minha casa ainda sob o efeito do chá. Tudo girava, rodopiava. Eu sentei no sofá esperando melhorar e vomitei no chão da sala de estar, no tapete. Deitei, passei a mão  em minha testa, estava suando frio, tremia. Minha pressão caíra e estava quase dormindo, quando uma pessoa tocou a campainha de minha porta, naquela hora, de madrugada.

- Olá, queria falar com o senhor.

- Ora, quem é você a essa hora.

- Lembra da sua estada na escola de artes marciais?

-Lembro, a dez anos atrás, nem lembro qual faixa eu era. Era bom, até...

Pois então, nós vamos fazer uma reunião, o professor Estevão, vai.


Continua...

Demônio


Eu passei por mal bocado a uns três meses atrás. Só agora eu tive a oportunidade de escrever aqui o que me ocorreu. Espero alertar a todos que possam se interessar pelo Pico do Dragão, na Serra do Cipó. Lá você encontra escondido um cemitério indígena, uma casa de pedra, ornamentada de figuras assustadoras. Parecia até uma construção Maia, em Minas Gerais. Eu estive lá a três meses atrás. Eu vi o fim do mundo. Alucinações terríveis tomaram conta de minha cabeça. Eu no meio de uma selva, dentro da Serra do Cipó, um lugar inimaginável, poucas pessoas conheciam. Eu fui ver e tomei um chá que me prepararam durante uma cerimônia. Eu vi coisas inacreditáveis. A aura de todas as pessoas. A minha aura. Vi o bom e depois o mal. O inferno na terra. Todo mundo como demônio.

Agnóstico. Antes dessa experiência eu não acreditava nas religiões. Então agora eu te afirmo convictamente a existência de Deus, um ser poderoso que muda a vida das pessoas, mas que era diferente dos que pregavam os pastores e padres. Era amedrontador. Não havia nada a fazer. A três meses atrás eu descobri que somos demônios. Eu vi Deus fabricando almas. Só que era um Deus maquiavélico. Parecia um dragão, tinha chifres, um olhar assustador. Ele soprava da boca as almas. Elas voavam para longe fora da casa, subiam aos céus. Elas falavam. Agradeciam sem olhar para trás, como fumaça saindo pela janela.

Eu olhava escondido atrás de uma pilastra de pedra e vi a criatura se levantar, mostrando a barriga. Era um festival de corpos presos sob a pele do peito e da barriga. Dava para ver milhares de almas se debatendo uma com as outras, esperando o momento de subirem. Eu na mesma hora em que vi o demônio criando as almas, eu me lembrei da minha e de como viera ao mundo. Eu era como eles, mas de outro demônio, de outro lugar. E me lembrei que as almas que iam parar dentro do corpo dele era a de pessoas fadadas ao inferno que tinham seu corpo assado e comido pelo demônio, assim que morriam. Ele era o próprio inferno para aquelas pobres almas.

Eu tinha que fugir e saí correndo da casa, passei pelo cemitério indígena e cheguei em meu carro. Desci a serra do cipó em alta velocidade e cheguei cedo em minha casa, trancando tudo ao redor, me certificando que só eu estava na casa. Estava assustado. Agora eu sabia de minha vida passada. Era um dono de prostíbulo que tinha matado duas pessoas na França de trezentos anos atrás. Fora morto por um rival que queria comprar a casa. Eu paguei meus pecados ali com aquele demônio por 250 anos. Uma eternidade no inferno. E fui achar aquele monstro perto de minha casa. Até hoje não voltei lá.


Devia voltar  e matar aquela fera com uma espingarda e salvar todas as almas ...

Continua...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Na mata


Joana estava na selva. Sua família não tinha sobrevivido à queda do avião. Ela se sentia solitária. Como uma garota como aquela poderia sobreviver àquele lugar?

A única coisa que ela possuía era aquele moleton vermelho que sua mãe lhe emprestara. Já estava anoitecendo. Ela se perdera na floresta após a queda do pequeno avião de sua família. Por sorte seu pai não estava com eles, ele havia ficado em casa trabalhando.

Aliás, onde Joana estava mesmo? Ela sabia que era na floresta Amazônica. Joana morava com sua família na cidade de Manaus. Seu pai possuía uma fábrica de CDs e DVDs. Eles tinham conforto, mas com a crise na música causada pela pirataria e os downloads ilegais de música, eles quase faliram.

Não havia ninguém ali perto. Nenhuma alma viva. Joana procurou voltar ao avião, mas não o encontrou, e já estava escuro. O que ela deveria fazer?

Havia uma pedra enorme no alto de um morro. Joana subiu até lá e fez o moleton de travesseiro. Estava livre do mato, das cobras, mas passou a noite morrendo de frio.

Na manhã seguinte, a fome apertou. O que comer ali naquele lugar? O sol estava pegando fogo e ela se protegeu pondo o moleton na sua cabeça.

Até que Joana achou um riacho. Devia haver peixes por lá. mas ela não possuía nem uma varinha, nem isca. Foi quando se lembrou de um filme em que viu um índio pescando com um arpão os peixes de uma lagoa. Ela andou um pouco e pegou um galho para fazer de arpão. Ficou um tempão mas no final conseguiu pescar um peixe.

Agora era fazer uma fogueira para assar seu peixe. Ela esfregava pauzinhos e nada de fazer fogo naquelas folhas secas. Até que Joana desistiu e comeu o peixe ali mesmo, cru.

Com mais energia, Joana se pôs a andar. Deveria haver indícios de alguma civilização por ali. Ela também olhou para cima pra ver se algum helicóptero ou avião fazendo buscas por ali. Seu pai deveria estar preocupado, já era hora de eles terem chegado em casa.

Em um momento, quando estava andando pela floresta, ela viu uma onça pintada se aproximando. Joana gelou de medo, não conseguia sair do chão e a onça só se aproximando, chegando perto.

Ela estava cansada, mas teve energia suficiente para subir correndo em uma árvore, até o topo. E de lá, pôde ver seu moleton vermelho ser mordido e destroçado por aquele animal perigoso.

A onça se cansou de esperar por aquela garotinha. Ela foi embora mas virou a cabeça, ao caminhar, olhando para Joana como uma fera, selvagem e perigosa que era.

Joana esperou um pouco e desceu. Andou por vários quilômetros até que encontrou uma aldeia de índios. ela estava a salvo, mas os índios não pensaram assim. Eles odiavam os homens brancos e a fizeram de prisioneira.

Ela ficou em uma cabana enquanto um índio alto, forte, pintado de vermelho da cabeça aos pés, a vigiava. A garota chorou, o que fazia ali, estava com fome, pensou. Joana se levantou e puxou a perna do índio, o chamando. ela não conhecia a sua língua, mas fez sinais e o índio entendeu que ela estava com fome.

Ele saiu para buscar uns bijús para Joana. Havia uma grande dança na aldeia. A garota aproveitou a saída do índio para pegar sua comida e correu, indo parar no meio da roda de dança. Ela entrou junto na dança. Os índios no início riam muito dela e Joana se acalmou, mas mal sabia ela que havia um caldeirão sendo preparado para tê-la para a janta.

No final da dança os índios a pegaram e tentaram pô-la no caldeirão, mas a garota se contorceu toda, virou de um lado, para o outro, se protegeu com as pernas, até que ela caiu no chão, se levantou, deu um chute no pajé e saiu correndo pela mata.

Sem querer, Joana encontrou o avião. Seu pai estava lá, junto ao exército, um grupo de salvamento. Ele correu até a sua filha, a abraçou e a ouviu falando:

- Eu venci os índios canibais...


quarta-feira, 11 de março de 2015

Amizade


Quando estávamos só nós dois no Bar do João, éramos como o Beavis and Butthead. Ficáva-mos ouvindo ACDC e Metallica, no talo, bebendo cerveja Antártica durante horas.

Só nós ali no bar, meio cheio do João. Era uma época boa, conversávamos sobre vários assuntos, ás vezes nenhum, só ali, bêbado, doido, ouvindo música.

Às vezes aparecia o enciclopédia do rock, Falabela. eu quase briguei com ele algumas vezes. Mas ficávamos ali, cerveja, beck, rock..

Teve um dia em que eu e o Pedro nos levantamos e fomos na mesa da frente perguntar se po´diamos sentar ali. As duas mulheres responderam em uníssono que gostavam da mesma coisa que nós dois, mulheres. E não rolou de eu sentar ali, nem o Pedro.

Aquele primo, brother, que se foi, era do rock...

O bar do Pedro e suas andanças também, que Deus lhe tenha....

Cadê o Egípcio?


segunda-feira, 9 de março de 2015

O acorde perfeito



Depois de um mês remoendo a ideia por dentro. Sim, por que aquele assunto me deixara perplexo. Um acorde perfeito, feito por um guitarrista perfeito, um som hipnótico. Eu descobrira em uma capa de revista. Era quase impossível, muitos tentaram, mas não era um assunto muito divulgado. Poucos sabiam realmente que o acorde existia. Inúmeros pesquisadores da época estudaram a sonoridade das músicas e relacionaram com as fotos que eles tinham. Mas aquela foto era diferente. era uma mulher sentada em uma cadeira. Um espelho refletia um braço de guitarra sendo tocado. Ninguém sabia que ele havia participado daquele disco. 

Ele aumentara a visão com uma lupa e anotou as notas musicais feitas por aquele dedo. Foi simples, um amigo seu gostava muito daquela banda, Conhecia tudo sobre ela, inclusive do solo de guitarra feito no disco sem autoria relacionada na capa. Era fácil notar a particularidade, o som era diferente de todo o disco. E ele gostava desse guitarrista. Sacou na hora que era ele quem estava tocando. Pegaria o solo quando chegasse em casa, no violão ou na guitarra. Era tarde, mas precisava ouvir o som que sairia do instrumento.

Entrei no meu quarto, peguei o violão, liguei o som. O acorde estava ali, escondido na música, baixinho, em uma seção de cordas. Dava pra ouvir se prestasse muita atenção. Igual ao que estava tocando no violão. Era bonito mesmo, fácil de tocar, e eu não conseguia parar de fazer som, dedilhava, dava pancada, tocava lento, rápido, e aquele acorde não enjoava, eu podia fazer um somo de quarenta minutos com ele que seria um show perfeito. Uma jam session com um acorde. Programei isso e escrevi na minha agenda. Precisaria rever algumas anotações no dia seguinte, e preparei uma música usando o acorde, mais um blues, e um pouco de regaee.

A música durava seis minutos. Eu fiz uma letra, cantei, gravei com um violão e uma guitarra, um pandeiro e uma flauta. Um acorde. O solo parecia uma viagem espacial até a lua. A flauta casou perfeitamente com o acorde, sendo facílimo de se tocar. o pandeiro só acompanhava o ritmo.

Publiquei um vídeo de fotos que baixei, de domínio público. Um clip de música, bem humorado, acompanhando a música e seus devaneios. O acorde em forma de vídeo. Fiz o mais simples que podia. uma bola andando pelo quarto, de meia. A solidadão daquela bola e sua felicidade quando encontra com a outra bola até que os ldois juntos ficam felizes para sempre, sem perder tempo nem hora.

O vídeo foi acessado por muita gente que ficava hipnotizado pelo som e pelas imagens e passava para outras pessoas, em um bagte boca até o fim do mundo, viralizando a internet em poucos dias. At[e que todo mundo ouve aquele acorde pefeito que revoluciona a música, todo mundo começa a colocar o acorde perfeito em suas composições, revolucionando uma geração de músicos. Aquele acorde era ouvido em todos os lançamentos, mascarados, na cara, dedilhados, com distorção de guitarra, naquela música de elevador, no som do videogame, nas rádios.

Passam dois anos e o acorde perfeito está nos top cem das revistas especializadas.era o topo que o acorde perfeito chegava. 

Até que um dia, um homem apareceu com o acorde imperfeito...


domingo, 8 de março de 2015

Verdades ou mentiras?


Como viver sem saber que o que acontece com você acontece com outros, talvez nesse mesmo dia, na mesma hora. Duas vidas completamente opostas, uma estuda de dia, o outro trabalha à noite, durmam a tarde e tem o mesmo sonho. Voando em cima do mar, como pássaros voam naquele céu azul sem nuvens.

Eu que o diga de um dia perceber que as nossas ilusões são importantes, mesmo que sejam somente ilusões, fazem parte da sua realidade. Então você se entrega para essas ilusões e vive uma vida desregrada, às vezes até sem sentido, embora lute para transformar o quotidiano em uma realidade imortal. Viver sem se lembrar da finitude, indo direto ao abismo sorrindo, sendo educado com seu vizinho, sem prestar atenção àquela dona de casa que deixou cair a sacola no chão. Ou então o serviço porco do guardador de carro, ao lavar um veículo imundo. Uma lambança só, com lama e sujeira.

Quanto vale um dizer? Quem sabe você não tivesse mudado o mundo se escolhesse o sorvete de chocolate ao invés do de baunilha. Ou começado a terceira guerra mundial. E o que é melhor, dizer sinceramente que não ama nem odeia, que gostaria de sair do mundo de ilusão matrimonial e fazer a vida valer mais um pouco do que ver televisão o dia todo.

Qual a verdadeira razão da gente estar aqui nesse minuto criando frases, mudando a eterna dimensão mortal de carne e osso, ou nos envolvendo em um manto de castidade e pureza indisciplinadamente estúpido sem ser cruel, ignorando as pessoas negativas de toda parte, até se ver completamente só. O ordinário satisfaz, façamos o correto de todo dia. Viajamos pelas ondas wi-fi e no tempo. A toda hora participamos da rede mundial de computadores.

O tempo voa e você não percebe até o anoitecer. Aquela hora é especial. O nascer do dia também. Cada um traz um apelo diferente. A qualquer momento trarei uma resposta à dúvida que eu tinha e ao buscar um maior conhecimento de um todo equivocado, eu percebo que a qualquer dia me esqueço do meu fim. E do meio de conseguir demarcar meu território.

Pra que tentar entender o inevitável, se a todos os minutos ele passa numa velocidade infernal, é importante perceber que não se trata de outra ilusão, mas de um pensamento construtivo, de algo que deixará um legado de energias positivas. Sem qualquer porém, à todos. Não perca a calma e se deixe guiar pelo coração. Faça isso sempre, se mostre complacente, independente, alguém a quem se orgulhar.

A quem devo dizer se tratar de uma honra mostrar um trabalho consistente e sofisticado, trazendo um apelo universal ao elemento construtivista, entoando o lema da igualdade e fraternidade, aperfeiçoando os passos dados outrora. Ao manifesto independente de um grupo de grandes pensadores. Mostrando a que veio, uma voz nas ruas da cidade grande.

Deixo-lhes agora uma mensagem positiva que traga a você e a sua família muita saúde, bem estar, e dinheiro... 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pó e sangue II


Pedro sonhou com Letícia. Ela estava linda, com aqueles cabelos encaracolados, com um vestido branco, sorrindo e pedindo para ele a abraçar e esquecer de tudo que acontecera. Mas Pedro lhe deu um beijo e depois virou as costas. O demônio o esperara à espreita, o chamando para cumprir com seu trato. Letícia chorava em seus sonhos.

O garoto acordou com uma terrível dor de cabeça, seu nariz, de tanto cheirar pó, sangrava. Ele se levantou da cama e foi direto ao banheiro tomar banho. A água quente embaçou o espelho do banheiro formando um pentagrama invertido, uma cabeça de bode. Pedro sorriu, era hora de se vingar dos assassinos.

Pedro botou seu revolver escondido na calça e pegou uma faca de cozinha. Era só isso que precisava, além do mais com seu corpo fechado, não precisava de nenhuma proteção extra. Ao sair, ele encontrou com sua mãe na sala de estar, ela sorriu para Pedro que sorriu de volta, mas com uma expressão demoníaca, maquiavélica. Sua mãe se assustou, mas como ela sabia do que ocorrera com sua namorada, ela achou que logo mais ele voltaria a ser aquele garoto cândido de outrora.

Ao subir a rua, Pedro encontrou a mãe de Letícia cuidando do jardim de sua casa:

- Olá Elvira, como está?

- Mais ou menos Pedro, a ficha ainda não caiu, mas sinto falta da garota.

- Ontem eu sonhei com ela. Me parece que está muito bem no céu. e a senhora pode ficar despreocupada que os assassinos vão pagar pelo que fizeram.

- Como assim, Pedro. Você vai fazer alguma coisa? Deixe que a polícia tome conta do caso.

- Pode deixar, vou fazer isso mesmo, disse Pedro com um olhar agressivo.

Ele se despediu e partiu em direção a favela. Era hora de ele conversar com os traficantes. Era hora deles pagarem pelo aque fizeram com a sua namorada.

Continua...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pó e sangue



O nome dele era Pedro. Tinha 26 anos quando conheceu Letícia. Os dois namoraram por dois anos. Uma garota jovem de 22 anos, alta, magra com os cabelos loiros e encaracolados.

Pedro pensava que a relação dos dois era saudável. Garoto evangélico e simplório, não sabia que sua namorada saía às escondidas à noite, enquanto seu namorado dormia. Ela combinava com suas amigas e enganava Pedro indo à boates de techno, se drogando e bebendo a noite inteira.

Às vezes Letícia sumia no meio da tarde, ela ia no morro buscar papelotes de cocaína e chegava desorientada na casa de Pedro. Mas este, coitado, pensava que a garota estava em seu período pré-menstrual. ele nem imaginava que ela subia aqueles morros perto de sua casa. Para ele, Letícia era uma santa.

O amor de Pedro só crescia, ele queria casar com ela, constituir família. Eles não transavam, Pedro queria se resguardar para depois do casamento. Ainda era virgem, imagina, aos 26 anos. Mal sabia Pedro que Letícia saía com outros homens durante as suas saídas de madrugada. Sua mãe até tentou avisar, mas para ele, era implicância da velha.

Até que um dia, Letícia subiu no morro no meio da madrugada. Ela comprara dois papelotes de cocaína e já ia encontrar com suas amigas, quando a polícia apareceu e começou a trocar tiros com os traficantes. Uma bala perdida, do alto do morro a atingiu na cabeça. Letícia morreu na hora. A polícia se desorientou, pegou o corpo da garota e saiu em direção ao hospital, mas já era tarde.

Pedro ficou sabendo no dia seguinte. Ele viu a foto de sua namorada estampada na primeira capa do jornal. A manchete era: "Garota do asfalto morre em troca de tiros da polícia com traficantes".

O jovem chorou a tarde inteira, desorientado, quebrou todo o seu quarto, pegou a bíblia e a queimou, gritando, xingando Deus, que levara sua namorada embora. Ela era viciada em pó, ele jurou que um dia iria se vingar dos assassinos.

Pedro foi então a um centro de macumba, pediu para fecharem seu corpo. Ele entrou em um transe profundou e viu o que tinha que fazer. Agora ele não era mais evangélico, Pedro havia feito um pacto com o demônio. Nada mais poderia feri-lo.

No dia seguinte, Pedro foi até os traficantes do morro. Perguntou a eles se além de drogas eles vendiam armas. Comprou uma 38 e um punhado de balas, um papelote de cocaína e foi pra casa. Pedro passou na padaria e pegou uma pinga 51. Passou a noite inteira bebendo e bolando um plano para a sua vingança.

Continua...


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tem um emprego aí



Aos 36 anos me vejo em uma situação constrangedora. Este que vos fala, o eterno adolescente, envelheceu. Acontece que no chão de lama em que me encontro, fica difícil arrumar um emprego (a garantia da responsabilidade).

As saídas em busca de sexo fácil no meio da noite não são mais as mesmas. No dia seguinte tem que acordar cedo.

É, a vida passa a ser diurna, sair ao centro da cidade levando um currículo debaixo dos braços e mendigando por um emprego, ficando queimadinho pelos raios solares que insistem em suar a sua camisa de linho.

Envelhecer te mostra coisas importantes como ajudar a si mesmo primeiramente, e depois, os outros. Nesse coração enorme de bondade em que me encontro muitas vezes me auto saboto para mostrar meu sorriso para desconhecidos.

Eu canto, danço e o emprego não vem.

Vejo espíritos responsáveis, senhores do dinheiro com suas vidas confortáveis, mas sem aquela bondade espiritual.

Nesse sentido, as energias cósmicas poderiam me ajudar.

Topo tudo, por qualquer dinheiro.

Só não rodo a bolsinha na Afonso Pena.